Mil Marias: Grupo de Pesquisa de Imagens da Mulher na Poesia de Língua Portuguesa (FALE/ ILC/ UFPA/ CNPq)                         

 

Inês Sabino (1853-1911)


Marca d'água

À teus pés

 

À exímia poetisa portuguesa D. Maria Amália Vaz de Carvalho


O gênio é sol ardente, que alumia
O mundo fascinado com seus raios,
Eternos no brilhar!
E’ qual o diamante refulgente.
Cujas chispas se casam luminosas
N’um brilho de cegar!

Tu és a fada, o gênio, de além mares,
l'u és a maga estrela resplendente,
Que vens luzir aqui!
Brilhante e duradoura e tão perenne
Em extasis, nos prendes subjugados
Sorrindo-nos daí.

Alva pomba, das plagas Lusitanas,
Colibri, a cantar ternos queixumes.
Gemendo ternos ais!
O vento, numa endeixa traz teu canto
Formoso e rendilhado de harmonias.
Em threnos celestiais!

Aqui sobre essas terras brasileiras,
Poetisa, repousaste qual alcyone
Cansado de voar!
Regaços mil te amparam orgulhosos
Tecendo numa coroa doce afeto
Para a teus pés lançar!

E eu, que sonho e canto, venho agora
A’ noite, no silêncio do meu ermo
Lembrar o nome teu!
Maria! vou depor com reverência
Como um preito a teus pés, a maga oferta
De um pobre canto meu!

Bem sei que é audacioso... oh! eu me curvo
Ao impulso de minh’alma, que me ordena
E eu devo obedecer!
Oh gênio lá dos cerros de outros plainos,
Perdoa, se da lyra um rude acorde
A ti venho oferecer!


SABINO, Inês. “À teus pés”. In: Impressões: Versos. Pernambuco: Typographia Apollo, 1887, p. 45.

 

Projeto de Pesquisa: Tradição e ruptura na poesia de senhor de engenho: imagens da mulher (FALE/ILC/UFPA)
Coordenadora: Profa. Dra. Angela Teodoro Grillo
Bolsista: Ana Lígia Rodrigues Drago (Universal/CNPq)