Mil Marias: Grupo de Pesquisa de Imagens da Mulher na Poesia de Língua Portuguesa (FALE/ ILC/ UFPA/ CNPq)                         

 

Olavo Bilac (1865-1918)


Marca d'água

Ida

 


Para a porta do céu, pallida e bella,
Ida as asas levanta as nuvens corta,
foram os anjos e a criança morta
Foge dos anjos namorados d'ella.

Longe do amor materno o céu que importa ?
O pranto os olhos límpidos lhe estrella...
Sob as rosas de neve da capella,
Ida soluça, vendo abrir-se importa.

Quem lhe dera outra vez o escuro canto
Da escura terra, onde, a sangrar, sozinho,
Um coração de mãe desfaz-se em pranto !

Cerra-se a porta : os anjos todos voam...
tomo fica distante aquele ninho,
Que as mães adoram... mas amaldiçoam


BILAC, Olavo. “Ida”. In: Alma Inquieta. In: Antologia: Poesias. São Paulo : Martin Claret, 2002, pág 171.

 

Projeto de Pesquisa: Tradição e ruptura na poesia de senhor de engenho: imagens da mulher (FALE/ILC/UFPA)
Coordenadora: Profa. Dra. Angela Teodoro Grillo
Bolsista: Ana Lígia Rodrigues Drago (Universal/CNPq)