Os cócós de cordão
« A minha mana Luiza
É moça de opinião;
Passou a mão na tesoura,
Deu com o cócó no chão.
Sete canadas de azeite,
Banha de camaleão
É pouco p'ra fazer banha
P'ra estes cócós ele cordão.
O sebo está muito caro,
'Stá valendo um dinheirão;
Quero vêr com que se acocham
Estes cócós de cordão.
Os caixeiros da Estância
Levam grande repellão,
Para não venderem sebo
P'r'a estes cócós de cordão.
Deus permitta que não chova,
P'ra não haver algodão;
Quero vêr com que se amarram
Estes cócós de cordão.
Na fonte da gamelleira
Não se lava com sabão;
Se lavam com folhas verdes
Estes cócós ele cordão.
As negras de taboleíro
Não comem mais carne, não;
Só comem sebo de tripa
D'estes cócós de cordão.
O moço que é brazileiro
Que conserva opinião,
Não deita na sua rêde
D'estes cócós de cordão.
Ajuntem-se as moças todas
Em redor d'este piião,
Qu'é p'ra pizarem o sebo
P'ra estes cócós de cordão.
Ajuntem -se as velhas todas
Em roda do violão,
Qu'é p'ra dançarem o samba
D'estes cócós de cordão.
ROMERO, Sylvio (org.). “Os cócós de cordão”. In: Cantos populares do Brazil. Lisboa: Nova Livraria Internacional, 1883. v. 1. p. 64-66.