Grande, Fria e Feliz
Grande, fria e feliz.
Que seios os teus amor!
Que olhar de febre caindo
Sobre os abismos em flor!
Grande, fria e feliz -
Que mãos as tuas amor
Feitas para as agonias,
Para os delírios frementes
Para as carícias selvagens,
Que mãos as tuas amor!
Que corpo violento amor!
Que energia soberana
Dele vem, cresce e domina.
No entanto sem coração
Às desgraças vais sorrindo,
Grande, fria e feliz!
Grande, fria e feliz
Quero-te assim para sempre,
Quero-te assim para sempre
Quero-te forte e inclemente,
Mas dadivosa e secreta
Porque a tudo indiferente
Grande, fria e feliz!
SCHMIDT, Augusto Frederico. “Grande, Fria e Feliz” In: Cadernos de Cultura, volume 98. MEC, RJ, 1956, p. 52.