Mil Marias: Grupo de Pesquisa de Imagens da Mulher na Poesia de Língua Portuguesa (FALE/ ILC/ UFPA/ CNPq)                         

 

Antonio Peregrino Maciel Monteiro (1804-1868)


Marca d'água

Aos annos de…

 


Ao nascerdes, Senhora, um astro novo
Vos inundou de luz que inda hoje ensma
No fogo desses vossos olhos bellos
Vossa origem divina.

O ar que respirastes sobre a terra
Foi um sopro de Deus embalsamado
Entre as flores gentis, que vos ornavam
O berço abençoado.

Ao ver-vos sua igual no empyreo os anjo
Hymnos de amor cantaram nesse dia;
E o que se escuta, se fallais, é o echo
Da angelica harmonia.

Gerada paia o céo (que o céo somente
Da creação a pompa, e o brilho encerra)
Das mãos do Criador vos escapastes;
Cahistes cá na terra.

Um anjo vos seguiu para guardar-vos;
E quaes gêmeos um no outro retratado,
Quem pode distinguir o anjo, que guarda,
Do anjo, que é guardado?

Só um raio do céu arde perenne,
Sem que o tempo lhe apague o fulgor santo:
Por isso os vossos dons são sempre os mesmos,
O mesmo o vosso encanto.

Em vós é tudo eterno. E se na fronte
(Tão bella sempre em tempos tão diversos!)
Uma c'rôa murchar-vos, é de certo
A c'rôa dos meus versos.

Dos meus versos? Ah! Não! Que inextinguível
E o incenso queimado á Divindade:
E ao canto, que inspirais, vós dais, Senhora,
Vossa immortalidade.


MONTEIRO, Antônio Peregrino Maciel. “Aos annos de…”. In: FILHO, Mello Morais (org.). Parnaso Brasileiro. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1885. v. 1. p. 443-444.

 

Projeto de Pesquisa: Tradição e ruptura na poesia de senhor de engenho: imagens da mulher (FALE/ILC/UFPA)
Coordenadora: Profa. Dra. Angela Teodoro Grillo
Bolsista: Fabrícia Paraíso de Araújo (PIBIC/ UFPA)