Rondo
Já o interno foge, Alcina,
Da campina, e d'alta serra ;
Ja nao berra o Norte irado ,
N'este prado gira Amor.
BRANCA neve, gela frio
Ja nao cobre esta collina ;
Corre a fonte cristallina,
Corre o rio bramidor.
A agradável Primavera
Veste o campo de mil flores,
O Sol lança vivas cores,
Recupera o resplandor.
Já o Inverno foge,
A andorinha rastejando
Na Lagoa prateada
Com ligeira aza apressada
Vai tocando, o seu licor :
Pela umbrosa e verde selva
Errar vejo o manso gado,
Co' a charrua já curvado
Corta a relva o agricultor.
Já o Inverno,
Torna a abelha ao seu serviço,
Zune, e beija a flor mimosa,
Volta alegre, e cuidadosa
Ao cortiço o mel compor :
Que prazeres, que receio ?
Oiço já nestes raminhos
Dos alegres passarinhos
O gorgeio encantador:
Já o Inverno,
Vem, pastora, tu formosa
De jasmin huma capella ,
Vem cingir a fronte bella
E da roza linda flor:
Junto a ti...que feliz sorte!
Ah! Não posso a alegria
Exprimir , nem qual seria
Meu transporte, e terno ardor
Já o Inverno foge,
PEREIRA, José. “Rondo”. In: BARBOSA, Januário da Cunha (org). Parnaso brasileiro, ou Coleção das melhores poesias dos poetas do Brasil, tanto inéditas, como já impressas. Rio de Janeiro, RJ: Tipografia Imperial e Nacional, 1829. p.63-65.