Cantos Populares do Brasil (1883)
A pastorinha
— Bella Pastorinha,
Que fazeis aqui?
« Pastorando o gado
Qu'eu aqui perdi.
— Tão gentil menina
Pastorando gado?!
«Já nasci, senhor,
Para este fado.
— Vamos cá, menina,
P'ra aquelle deserto,
Qu'eu pouco me importa
Que o gado se perca.
« Sae d'aquí, senhor,
Não me dê tormento;
Eu não quero vêl-o
Nem por pensamento.
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...........................
Olhe, meu senhor,
Cá volte, correndo,
Que o amor é fogo,
Que me vai vencendo.
Olhem para elle
Como vem galante,
Com meias de sêda,
Calção de brilhante!
Si os manos vierem
Trazer a merenda?
— Elles não são bicho
Que a nós offenda.
« E si perguntarem
Em que me occupava?
— N'uma manga d'agua
Que a todos molhava.
« Bem sei que tu queres:
Que te dê um abraço;
:É á sombra do mato,
Mas isto eu não faço.
— Eu me sento aqui
Não com má tenção;
Juro-te, menina,
Que seu teu irmão.
« Sae por um monte,
Qu'eu sáio por outro,
A ajuntar o gado
Que é nosso todo.
ROMERO, Sylvio (org.). “A pastorinha”. In: Cantos populares do Brazil. Lisboa: Nova Livraria Internacional, 1883. v. 1. p. 27-29.
Adeus à pastora
Vai-te, amada pastora;
Que as costas já vou virando,
Vai seguir o teu destino...
Adeus! não sei até quando.
Adeus! te digo de perto;
Adeus! te digo chorando;
Adeus! te digo de longe;
Adeus! não sei até quando!
ROMERO, Sylvio (org.). “Adeus à pastora”. In: Cantos populares do Brazil. Lisboa: Nova Livraria Internacional, 1883. v. 1. p. 239.
Pastorinhas do natal
Vinde, pastorinhas,
Vamos a Belem,
A vêr si é nascido
Jesus, nosso bem.
Capellinha de melão
É de Sam João;
É de cravos, é de rosas,
É de manjaricão.
Adeus, pastorinhas,
Adeus, que eu me vou;
Até para o anno,
Si nós vivos fôr…
ROMERO, Sylvio (org.). “Pastorinhas do natal”. In: Cantos populares do Brazil. Lisboa: Nova Livraria Internacional, 1883. v. 1. p. 174-175.
Projeto de Pesquisa: Tradição e ruptura na poesia de senhor de engenho: imagens da mulher (FALE/ILC/UFPA)
Coordenadora: Profa. Dra. Angela Teodoro Grillo
Bolsista: Fabrícia Paraíso de Araújo (PIBIC/ UFPA)